Uma das citações mais conhecidas do planeta vem da peça teatral Hamlet escrita por William Shakespeare. Nela, o personagem principal, depois de ver a mãe casando com o assassino de seu pai, depois de matar acidentalmente o pai de seu grande amor, e após ver a mãe morrer ao tomar um veneno destinado a ele, exterioriza sua dúvida entre a vontade de viver ou morrer, indagando: “Ser ou não ser? Eis a questão”. Com todo respeito ao príncipe dinamarquês, mas depois dos longos minutos na sala de ultrassonografia hoje, há dúvidas muito mais aflitivas do que a simples decisão entre a vida e a morte.
Com certeza, Hamlet nunca se sentou em uma salinha de 10 metros quadrados, esperando a resposta sobre o sexo do bebê tão aguardado. Naquela época arcaica, sei que todos tinham que esperar 9 meses para descobrir qual o sexo da criança, mas tenho certeza que esses meses passavam bem mais rápido que aqueles longos minutos naquela micro-sala.
Que sortudo era Hamlet!
Para começar, devo afirmar que o dia de hoje começou, realmente, ontem à noite. Por volta das 23:00hs, para ser mais específico. A hora em que fui, tola e inocentemente, tentar dormir. Toda vez que começava a pegar no sono, era acordado pelo estrondo causado pela queda de uma agulha de costura no chão da cozinha, ou pelo barulho em uníssono causado pelos coturnos dos ácaros marchando em meu travesseiro. Resumindo? Mal preguei os olhos.
Que sortudo era Hamlet!
Depois, sobrevivi ao combo trânsito/sala de espera/atraso no horário da consulta, sem arrancar o coração pela garganta. O desespero, cumulado à falta de sanidade, era tamanho que cheguei a pagar R$ 5,00 por um DVD-R virgem para gravar as imagens do ultrassom. E, aqueles que me conhecem, sabem que isso, para mim, assemelha-se a pagar R$ 50,00 por um Big-Mac.
Que sortudo era Hamlet!
Enfim, fomos encaminhados à uma pequenina saleta. Muitas horas depois (leia-se poucos minutos), aparece a médica responsável pela notícia mais aguardada da minha vida. Mais do que a escalação do Corinthians em uma final de campeonato. Ela chega calma, andando lentamente, fingindo não perceber a ansiedade respirada no local. O antigo Ragazzo teria vontade de dar uma voadora nela por trás, enraivecido pela demora, já o atual, pensou se ela não queria que eu buscasse um cafézinho enquanto realizava o exame.
Que sortudo era Hamlet!
Foi então que a médica começou a movimentar a pá do aparelho de ultrassom, espalhando o gel por toda aquela barriga maravilhosa, Reino Encantado da criaturinha mais linda que o mundo ainda não viu. Enquanto ela media tamanho do estômago, fêmur, cabeça, ritmo dos batimentos cardíacos, minha mente viajou para longe, bem longe dali. Fui para um mundo em que me via levando o garoto ao jogo de futebol; um mundo onde aguardava sentado na platéia, a apresentação de balé da minha filha; um mundo onde imaginava meu sorriso com a perda da virgindade do meu filho, ou meu desespero ao saber que minha princesa se transformara em uma mulher. Até que veio uma calma avassaladora. Uma paz de espírito difícil de ser traduzida. Pois naquele mundo, qualquer que fosse o cenário, eu me via como um pai feliz. E então, veio a notícia! Nem lembrei mais de Hamlet! O sortudo, agora, era eu!
A emoção que senti acredito ser intraduzível, mas, como escritor, aceitarei o desafio: PAZ! Em seu mais pleno efeito. Todos os problemas desaparecem, todas as preocupações nos abandonam, toda raiva é eliminada, dando espaço a um tipo de amor novo, diferente, compulsivo. Tudo cai para segundo plano. Podem ter certeza que o conceito de PAZ foi criado por uma pessoa que, naquele momento, passava pela mesma situação.
Quanto ao sexo do bebê, eu poderia, claro, revelá-lo nesse texto, mas o objetivo de um escritor é tentar passar aos seus leitores, através de palavras (ou pela ausência delas), todas as suas emoções, e espero que, mantendo o segredo, vocês consigam ter uma vaga noção da aflição que senti naquela sala.
Aproveito para terminar esse texto, pedindo perdão pelo leviano (mas inevitável!) trocadilho feito com a obra do inigualável William Shakespeare, interpelando-os:
Menino ou Menina? Eis a questão!
NÃO ME AGUENTO DE ANSIEDADE!!!!
LI O CONTO TODO E CONTINUO NA MESMA!!!!
ESPERAR ATÉ 6ª FEIRA???
TUDO BEM, VC E A RE TB TERÃO UMA NOVIDADE E É VERDADES VIU!
Cheio de emoção e repleto de amor..esse texto é igual a vc,filho…
acredito que deve ter sido mto facil escrever uma cronica tão m a r a v i l h o s a..não é corujice de MÃE..
e a constatação do sentimento maior de um futuro PAPAI,sentindo a felicidade maior que conheço bem,pois tive 3 filhos …sem mais comentarios..PARABENS…AMOR ,AMOR,AMOR
Me fez chorar no trabalho… de novo!!
Te Amo.
Bjo
Joe, como te disse por e-mail, na suas palavras deu para notar a felicidade e a emoção que está sentindo. Confesso que meus olhos se encheram de lágrimas com esse texto.
Não vejo a hora de sexta chegar!!!!!!!
Abraços,
Casthor
Caramba, tem até data pra dizer o sexo, fala logo……….
Se o texto foi emocionante no ultrasom, não posso nem imaginar o texto do nascimento……………. Beijos Querido
Grande Ragas,
Conto excelente. Muito bem escrito (o que não é novidade) e bastante emocionante. Fico feliz por esse momento que você está vivendo, de felicidade plena, e conseguindo extravazá-la através das palavras por aqui.
Continuarei entrando pra ler teus contos.
E agora, vou começar a corrigir o português.
Abraço!
Cooke
Adoreeeeeeeeeeeei!!! Também fiquei com os olhos cheios de lágrimas!
Quanto tempo falta até sextaaaaaaaaaaa??
Beijos
Valeu, Cooke! Agora, já que você gosta de corrigir o português, porque não começar com o “extravasar” com Z, escrito no seu post. hehehehehe.
Abrazzo Ragazzo
Que Sortudo é Ricardo !
Independente do sexo, nota-se que já está trazendo grandes emoções…
Parabéns!!!
Cara, esta emoção toda que você sentiu hoje não é comparável com aquela que você certamente experimentará no dia do nascimento do seu primeiro filho ou filha!
Prepare-se pois a emoção será enorme, difícil do coração aguentar…
aimone
NÃO FAÇO A MENOR IDEIA DE COMO DEVE SER ESTA PARADA, MAS ESTE ESQUEMA DE SABER QUE VAI SER PAI É MUITO DOIDO!
FICO FELIZ POR VC BROTHER,
VAMO QUE VAMO!
É NÓIS!
Ragazzo…………
Nossa…estou sem palavras e chorando no trabalho,rsrsrssss, bem que o Le me disse e custei a acreditar……vc é um poeta!!!!!! Impressionante!!!!lendo seu texto, senti pela primeira vez algo q jamais havia sentido antes….estou emocioanda!!!!!!!!!!!!!!! PARABÉNS…..desejo toda a felicidade do mundo para vc e sua esposa!!!!! beijinhos, DaniDani
A comparação foi muito inteligente. Parabéns pelo texto e, principalmente, pelo momento.
Abraço…
Joe…impressionante,
verdades absoluto mundial ….
parabens mesmo cara…pelo texto, pela idéia, pela emoção e, principalmente, por estar se tranformando num puta de um paizão….
abração…
E X C E L E N T E !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Adorei!
Vc como sempre surpeendente! Seu texto realmente emociona…
Parabéns!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Falando sério agora,
O conto em si não é lá muito bom não… associar uma tragédia Shakespeariana decorrente da briga pelo trono da inespressiva DINAMARCA a um sentimento de felicidade supremo não me pareceu fazer muito sentido, ainda assim, a emoção cravada nos parágrafos é tocante mesmo para os mais insensíveis, como eu. Parabéns pelo filhO, mais uma vez! Sendo incontrolável o desejo de fazer o conto utilizando uma celebre frase de Shakespeare, poderia utilizar, do próprio Hamlet, a também muito célebre:” Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a sua filosofia”
Abs
Ahhhhhh… mais uma coisa: inexpressiva, pf.
boa ragas…transformou uma tragédia em alegria…só vc mesmo…rsrs.
parabéns ao casal pelo momento que estão vivendo.
Ah…é menina.
bjs, danilo.
Para confirmar que li seu conto….(-:
Esta ansiedade tb sinto sempre que vamos à médica. Aliás, não só eu como o Gustavo. Dei algumas risadas lendo o seu conto, pois de alguma forma encontrei-me nele. Acho muito lindo homens como vc e meu marido que não têm vergonha de demonstrar o amor que sentem pela família. Parabéns mais uma vez. Infelizmente não poderemos comparecer sexta-feira, mas aguardo notícias…Beijos e fiquem com Deus. Lu.
Gêmeos bivitelinos?
Ah, desculpe o login – projeto paralelo – aqui, obviamente, e o Carlão.
..nossa que surpresa saber da grande noticia DO ANO dessa maneira…puxa Parabéns!! que incrível a forma que escreve..vc acessa a linguagem do coração…não sabia desse seu dom….e esse suspense…tá loooouco! Renata Parabéns!!!! saúde e paz…bjs
Porra Ragaz.. parebens mesmo pelo filho… vc vai ser um bom pai.. Mais teimoso que o filho.. mas será ótimo!!
Quanto ao conto eu tenho de concordar com o Urso.. Mas tenho de colocar um porém.. a comparação foi inteligente, apesar de nao ter muito sentido…
Abraços!!
Cumpadre,
Ainda bem que só li o conto depois de saber que teremos um MARAVILHOSO menininho.
Mesmo assim, vc conseguiu me emocionar muito com o texto, demonstrando que com certeza vc será um pai incrível, como o meu.
Lógico que vou continuar babando bem de perto no menininho que ainda nem conheço, mas já amo do fundo do meu coração.
Saúde para a querida família Sperb Ragazzo.
Então, acertamos lá? É moleque mesmo?