Neves, Enfim, Apaixonado!

Todo reinado tem seu fim. Essa é a frase que serve para descrever a despedida de Neves da vida de solteiro. Quem diria que, ele, o galanteador convicto, um dia se entregaria aos laços do relacionamento monógamo. Foram anos e mais anos dedicando-se, exclusivamente, à caça dos mais diversos tipos de mulheres, desde as mais rechonchudas, até as mais desdentadas. Viajou, festejou, apavorou, mas seu dia, finalmente, havia chegado. Encontrara seu grande amor: Eliana.

E como todo paquerador inveterado, Neves, ao se apaixonar, passou de predador à presa. De dominante á dominado. De AA à aa. Foi impressionante. Não comia mais o que queria, apenas o Eliana indicava. Não via mais os amigos, somente os que Eliana permitia. Futebol? nem lembrava mais que esse esporte existia, afinal de contas, assistir a um jogo significava jejum à noite. Os amigos, inconformados a princípio, agora chegavam a ter uma certa raiva da transformação ocorrida no colega. Chamavam-no, ultimamente, de MarioNeves, em alusão ao fato do amigo fazer tudo que Eliana mandasse.

Os meses foram passando depressa, transformando-se em anos, poucos anos, mas suficientes para demolir todos os laços de amizade que o rapaz demorara décadas para construir. Neves, não tinha mais amigos. Havia se afastado de todos. Quando Eliana decidia sair sozinha, Neves ficava em casa, solitário, jogando video-game escondido da namorada. Certa noite, em uma boate qualquer, Mendes, um dos amigos esnobados por Neves, avistou Eliana dançando com um homem estranho. Não a viu beijando o sujeito, mas era evidente o clima de safadeza que circulava em volta de ambos. Viu quando os dois deixaram a boate de mãos dadas. Pensou em ligar para Neves, mas sabia que ele não acreditaria. Deixou o assunto para lá, com um forte aperto no coração.

60 dias depois, Mendes e alguns camaradas faziam um esquenta em sua casa, quando tocou a campainha. Era Neves. Abriu a porta e deparou-se com o amigo chorando aos cântaros. Em meio aos resmungos, soluços e rezingas conseguiu decifrar uma frase: “Eliana está grávida…de outro!!”. Os amigos ficaram boqueabertos. Sabiam que ela não era flor que se cheirasse, mas também não imaginaram que pudesse ser tão imprestável assim. Grávida de outro? No final das contas, a tal namoradinha não valia mais que uma moeda de 25 centavos. Todas as rusgas e mágoas sentidas pelos amigos para com Neves desapareceram na hora. Dedicaram aquela noite inteirinha a falar mal daquela infeliz. Foi quando Neves teve uma epífane. Visualizou um adesivo. Um adesivo prestando uma singela “homenagem” àquela sem caráter que partiu seu coração. Nele estaria escrito: “DEUS É FIEL…A ELIANA NÃO!”. Os amigos ficaram estupefatos. Sabiam que aquela idéia estava fadada ao sucesso.

Hoje, um ano depois, Neves se tornou um cara famoso, ganhou fortuna com os royalties recebidos na comercialização dos adesivos e sua invenção é referência nacional quando o assunto é a infidelidade feminina. Já Eliana, até onde se sabe, mora em um puxadinho de esquina na Zona Leste, e está processando um grupo de funk carioca por ter lançado, também em sua homenagem, uma música entitulada “Cachorra-Mor” que virou o grande hit do último verão.

 

 

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Published in: on maio 6, 2008 at 3:00 pm  Comments (7)  
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