Sessenta e Três Linhas de Sinceridade (Sem Contar o Post Scriptum!)

Olá a todos! Meu nome é Rudolph (cara, eu sei como é feio… agradeço todo dia aos meus pais) e minha profissão, Hacker; isso mesmo, hacker. Bom, ao menos seria, não fosse a interferência dos meus velhos; é, esses mesmos que me deram esse “maravilhoso” nome. Sou um craque em computador, vivendo na era da informática; contudo, meus pais querem que eu exerça uma “profissão decente”, como costumam dizer. Estamos em plena era digital, e eles querem que eu seja um advogado; médico; economista; blaaaarghhhh… só coisa chata. Enfim, por causa deles que estou aqui, agora, escrevendo pra vocês.

Prestei, mais ou menos, umas dez faculdades, e, em todas elas, durante a prova, eu não pude usar meu computador. Cara, isso é ridículo! Não me deixar usar minhas habilidades nessas horas é… é como fazer o super-homem salvar o mundo, preso a um pedaço de kriptonita; ou proibir o homem-aranha de usar os arranha-céus da cidade como apoio para suas pegajosas teias; ou pedir ao Michael Jackson que tenha uma ereção com adultos por perto (pelo menos é o que dizem por aí). Resumindo: um absurdo! Por que tenho que fazer o vestibular sem ajuda do meu maior companheiro, se hoje, tudo que fazemos está interligado por computadores? Quem vocês acham que, hoje, qualquer empresa, em qualquer ramo, preferiria contratar: um cara que manja tudo de informática ou outro que sabe qual o nome da capital da Armênia? (que é Ierevã, por falar nisso).

Fato é que, se eu quisesse, entraria em qualquer faculdade do Brasil; não pelo conhecimento – que felizmente tenho até de sobra -, mas, principalmente, pela facilidade em hackear qualquer um desses sites vagabundos que essas escolas usam hoje em dia. Cinco minutinhos e pá, lá estaria eu na frente do cara que passou anos no cursinho, estudando como um louco. HAHAHA… computadores são mesmo capazes de transformar mortais em semi-deuses; na minha opinião, claro.

Na verdade, eu nem precisaria estar aqui. Bastaria estar matriculado e depois alterar a lista dos selecionados no site de vocês, por exemplo, e lá estaria eu, pronto para receber todo o conhecimento inócuo (essa palavra eu aprendi com meu pai ontem, quando ele me disse que eu tornava todos esforços dele totalmente inócuos) que uma escola se predispõe a passar. Só não faço isso, porque acho essa universidade aqui um lixo, e pra falar a verdade, nem sei pra qual curso estou prestando. Também não interessa, só tinha opção porcaria mesmo. Então, o resumo da ópera fica sendo o seguinte: queria ser hacker, mas meus pais não deixam; se eu quiser posso alterar o resultado desse vestibular no site de vocês, que é uma droga, diga-se de passagem; não faço isso porque acho essa universidade um lixo e nem sei pra que curso estou prestando nesse vestibular.

Alguns podem achar que sou um doido varrido por escrever isso tudo aqui, mas o tema da redação pedida era “VOCÊ É SINCERO? DISCORRA SOBRE ESSE TEMA”, e eu, além de sempre ter sido extremamente sincero, estou pouco me fudendo pro resultado dessa prova.

Rudolph Nogueira.

P.S.: Vocês podem achar que o título foi dado após o término da redação, mas, sinceramente, não foi não. Eu é que sou bom mesmo.

Após 30 dias, saiu o resultado do vestibular acima. Curso de Literatura – 1 lugar – Rudolph Nogueira. Agora, só resta saber se, com ou sem, louvor.

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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. ate que enfim um conto light…fiquei feliz ao ver que vc escreve mto bem outros tipos de contos..escreva mais assim>>>>
    bjks

  2. prefiro os mais pesados…aqueles que criam expectativas, suspence e a gente fica logo querendo ler o finalll…voce e otimo nisso…beijos

  3. Sou fã dos seus contos!!!!

    Gosto mto do seu estilo….

    Feliz Carnaval…

  4. Gostei muito, mas acho que não foi você que escreveu este conto. Talvez tenha sido algum hacker.
    Abs
    Aimone

  5. O único problema é o layout, o contraste do fundo com a letra dá uma dor-de-cabeça…

  6. Eu gosto de ver como as idéias são articuladas. Se deixarmos de lado por um momento apenas o conteúdo meramente prosaico e conseguirmos enxergar o conteúdo intrínseco do texto, vamos nos deparar com uma mensagem no mínimo intrigante, ligadoa a questões que envolvem a índole, vocação e até sexualidade. Não, eu não estou viajando, como costumam dizer os yankees: “you’d better read between the lines”.

  7. Como fã número 001, nem preciso dizer que adorei, né?!

    Tiamu!!
    Beijocas


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