O Padre e a Ninfo

Agostinho vinha caminhando lentamente pela praça central da cidade em que morava. Atrás dele pairava imponente a imagem da Catedral local, construída em meados do século XVIII, e tombada como Patrimônio Cultural do país. Vestia uma batina marrom clara que contrastava com o intenso calor que sufocava a cidade naquela manhã de verão.

Enquanto limpava o suor do rosto com um lenço branco já totalmente encharcado, foi abordado por uma mulher robusta, repleta de curvas que estavam completamente à mostra, agora que seu vestidinho branco grudava na pele, em virtude do suor produzido pelo corpo. Ela agarrou o braço de Agostinho em desespero, pedindo ajuda:

– Padre, por favor, o senhor tem que me ajudar. Eu preciso me confessar urgentemente. Eu sou uma pecadora sem salvação. – Agostinho tentou responder, mas foi suprimido pela agonia da mulher que o puxava pelo braço em direção à igreja. – Padre, ou senhor ouve minha confissão, ou eu vou acabar fazendo uma besteira.

Apesar de aflita, a mulher ficara impressionada com a beleza e a juventude do clérigo que acabara de abordar. Ficou imaginando como podia um rapaz tão bonito e tão novo ter feito o voto de castidade. Recompôs o pensamento ao tropeçar no degrau da escadaria da igreja, e conduziu o sacerdote até o confessionário.

A moça arquejava intensamente enquanto aguardava o padre abrir a portinhola que os separava dentro do confessionário. Levou poucos segundos até que isso acontecesse, e sem pestanejar, começou a desabafar:

– Padre, meu nome é Samara, e eu acho que estou doente. Na verdade eu não acho, eu tenho certeza que estou doente. E eu já não sei mais o que fazer.

O padre parecia aflito sentado no banco de madeira do confessionário. Samara percebeu a aflição, mas acreditou ser em função da provável pouca experiência de que dispunha o jovem religioso. Ela esperou alguns segundos por alguma palavra, mas a demora do sacerdote a fez voltar a vomitar confissões:

– A verdade, padre, é que eu sou louca por sexo! Só penso nisso o dia inteiro. Vou à padaria comprar pão e acabo transando com o padeiro. Vou à feira comprar frutas, e lá termino eu fazendo amor em meio às bananas. Quando passo em frente a uma construção então, bom, é como um obeso em frente a uma doceria.

Agostinho estava com os olhos arregalados ouvindo atentamente as confissões da voluptuosa mulher. Tentou dizer alguma coisa, mas foi novamente interrompido pela avalanche de verdades cuspida por aquela pecadora em busca de redenção.

– Fato é, padre, que, ao vê-lo passando pela rua, tão novo, tão puro, tão apetitoso, resolvi abordá-lo. Imaginei-me tirando sua roupa aqui, dentro dessa igreja, e fui possuída por um tesão incontrolável. É algo que eu não consigo explicar, muito menos conter. Nunca transei com um padre, e isso me excita demais. Esse perigo me deixa queimando no meio das pernas. Me deixa insana!!! O que o senhor acha, padre? Devo lutar contra isso ou render-me a esse desejo?

– Minha filha – finalmente falou Agostinho – às vezes ELE se manifesta através de nossos desejos. Por isso, nem sempre, negá-los seja o caminho certo, assim como, nem sempre, sucumbir a eles seja, necessariamente, pecado.

Agostinho assustou-se quando a cortina que o separava do resto do mundo se abriu, revelando o corpo nú de uma pecadora novamente convicta. Samara parecia ter entendido o recado. Os seios volumosos e naturais captaram primeiro a atenção do rapaz envolto na batina. Era uma mulher de curvas insinuosas, que parecia cuspir um fogo capaz de ressucitar um defunto. Samara perdeu o controle ao perceber que a visão de seu corpo nú, havia causado uma ereção naquele jovem mensageiro de DEUS. Não esperou mais nenhum instante para avançar em cima do rapaz, que retribuía energicamente as carícias que recebia. Samara titubeou por um instante, ao lembrar que não carregava camisinhas na bolsa, mas lembrou-se também em como a igreja católica condenava o uso de preservativo, e ficou com medo de ofender o jovem católico.

Transaram, transaram e retransaram. Depois, transaram mais um pouco. Pararam apenas quando ouviram o eco de algumas vozes ao fundo. Samara, agora satisfeita, vestia orgulhosa seu inapropriado vestido branco, invadida por um sentimento de orgulho, ao ver o padre completamente entorpecido pelo que acabara de lhe acontecer. Foi embora feliz e confiante pelo fato de ter conseguido fazer um padre perder totalmente a cabeça por ela. Ainda estava com tudo. Iria para casa, mas não sem antes, dar aquela passadinha básica em frente à construção na esquina.

Agostinho vestiu a batina – que era um “vestido” bem mais apropriado que o usado por aquela “pecadora” – e seguiu para fora da igreja e rumo à sua casa. Caminhou alguns minutos até chegar à sua residência. Ao abrir a porta, deparou-se com a figura de uma mulher de aproximadamente 50 anos de idade, sentada no sofá com cara de pouquíssimos amigos.

– Muito bonito, hein, “Seu” Agostinho!! Isso são horas de um garoto da sua idade chegar em casa? Aqui não é pensão para sair à noite e voltar depois do nascer do sol!! Pode ir já para o seu quarto!!

Agostinho estava completamente exausto, e, por isso, obedeceu sem esboçar reclamação. Estava caminhando para o quarto quando parou ao ouvir uma última pergunta vindo da mãe:

– Pelo menos essa tal festa à fantasia foi boa?

O garoto abriu um sorriso de satisfação, ao mesmo tempo em que lamentava não ter sido o pai quem tivesse feito essa pergunta:

– Boa, mãe. Muito boa! – finalizou antes de ir dormir.

 

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